Ablação por cateter: tratamento intervencionista das arritmias
Procedimento minimamente invasivo, sem cortes, com resultados favoráveis em estudos clínicos para arritmias selecionadas — entenda como funciona.

A ablação por cateter é, hoje, uma das principais terapias intervencionistas para arritmias selecionadas — sem cortes cirúrgicos, com recuperação curta. Estudos clínicos mostram resultados favoráveis para fibrilação atrial paroxística, taquicardias supraventriculares e flutter atrial, entre outras. O princípio é simples: identificar com precisão o foco da arritmia e neutralizá-lo.
Como o procedimento é realizado
- Punção da veia femoral (virilha) sob sedação ou anestesia geral conforme o caso
- Cateteres especiais são guiados até o coração via fluoroscopia e mapeamento eletroanatômico 3D
- Estímulos elétricos provocam a arritmia em ambiente controlado para confirmar diagnóstico
- O foco arrítmico é mapeado com precisão milimétrica
- Energia (radiofrequência, crioablação ou Pulsed Field) é aplicada para eliminar o tecido alterado
- Reavaliação confirma que a arritmia não pode mais ser induzida
- Alta hospitalar geralmente em 24-48 horas
Tecnologias modernas
Mapeamento eletroanatômico 3D
Sistemas como CARTO e EnSite criam um modelo tridimensional do coração em tempo real, integrando dados elétricos e anatômicos. Permite ablações mais precisas e reduz exposição à radiação.
Pulsed Field Ablation (PFA)
A PFA — disponível no Brasil desde 2024 — usa pulsos elétricos de altíssima voltagem em microssegundos para criar lesões seletivas nas células do miocárdio sem aquecimento. Resultado: maior segurança (menos lesão de estruturas vizinhas como esôfago e nervo frênico) e procedimentos mais rápidos. Realizamos as primeiras ablações por Farapulse no Hospital Mãe de Deus em 2025.
Quais arritmias podem ser ablacionadas
- Fibrilação atrial paroxística e persistente
- Flutter atrial típico e atípico
- Taquicardias supraventriculares (TSV, TRN, Wolff-Parkinson-White)
- Taquicardias atriais focais
- Algumas taquicardias ventriculares idiopáticas
- Taquicardias ventriculares pós-infarto em pacientes selecionados
Recuperação e retorno à rotina
A maioria dos pacientes retoma atividades leves em 3-5 dias e exercícios em 2-3 semanas. O acompanhamento próximo no primeiro ano é essencial para confirmar a manutenção do ritmo e ajustar a medicação.

