Marcapasso sem fios: como funciona o Micra
Do tamanho de uma cápsula, implantado diretamente no coração e sem cicatriz visível — entenda a tecnologia leadless.

O marcapasso convencional, presente na medicina há mais de 60 anos, salva milhões de vidas — mas exige um pequeno gerador implantado abaixo da pele e cabos (eletrodos) que percorrem as veias até o coração. Esses cabos são responsáveis pela maior parte das complicações de longo prazo: infecções, fraturas, deslocamentos.
Uma cápsula no coração
O Micra (Medtronic) é um marcapasso leadless — sem cabos, sem cicatriz visível. Tem cerca de 25 mm de comprimento e pesa apenas 2 gramas, sendo implantado diretamente dentro do ventrículo direito por punção venosa femoral. Não há gerador subcutâneo: toda a tecnologia (bateria, eletrônica, eletrodos) está integrada na cápsula.
Como é o procedimento
- Realizado em sala de hemodinâmica, sob sedação leve e anestesia local
- Punção da veia femoral (na virilha)
- Cateter especial leva a cápsula até o ventrículo direito
- Cápsula é fixada por 4 ganchos de nitinol no miocárdio
- Testes elétricos confirmam captura adequada
- Cateter é retirado; alta hospitalar geralmente em 24h
Para quem é indicado
O Micra é uma excelente opção para pacientes com bradiarritmias que requerem estimulação ventricular, especialmente:
- Idosos com fragilidade cutânea (cicatrização ruim)
- Pacientes com história de infecção em marcapasso convencional
- Pacientes com problemas de acesso venoso superior (trombose, anatomia desfavorável)
- Pacientes com fibrilação atrial permanente em que apenas estimulação ventricular é necessária
- Pacientes que valorizam a ausência de cicatriz visível e mobilidade total
Limitações e cuidados
O Micra atual estimula apenas o ventrículo direito. Para pacientes que necessitam de marcapasso de dupla câmara (estímulo coordenado do átrio e ventrículo) ou ressincronizador, ainda recomendamos modelos convencionais — embora versões leadless de dupla câmara já estejam em estudos clínicos avançados.
A vida útil da bateria é de aproximadamente 10-12 anos. Quando esgota, uma nova cápsula pode ser implantada (a anterior pode permanecer encapsulada no miocárdio sem prejuízo).

