Pular para o conteúdo
    Procedimentos20 de março de 2026 5 min de leitura

    Marcapasso sem fios: como funciona o Micra

    Do tamanho de uma cápsula, implantado diretamente no coração e sem cicatriz visível — entenda a tecnologia leadless.

    Dra. Karina de Andrade segurando o marcapasso Micra Medtronic

    O marcapasso convencional, presente na medicina há mais de 60 anos, salva milhões de vidas — mas exige um pequeno gerador implantado abaixo da pele e cabos (eletrodos) que percorrem as veias até o coração. Esses cabos são responsáveis pela maior parte das complicações de longo prazo: infecções, fraturas, deslocamentos.

    Uma cápsula no coração

    O Micra (Medtronic) é um marcapasso leadless — sem cabos, sem cicatriz visível. Tem cerca de 25 mm de comprimento e pesa apenas 2 gramas, sendo implantado diretamente dentro do ventrículo direito por punção venosa femoral. Não há gerador subcutâneo: toda a tecnologia (bateria, eletrônica, eletrodos) está integrada na cápsula.

    Como é o procedimento

    • Realizado em sala de hemodinâmica, sob sedação leve e anestesia local
    • Punção da veia femoral (na virilha)
    • Cateter especial leva a cápsula até o ventrículo direito
    • Cápsula é fixada por 4 ganchos de nitinol no miocárdio
    • Testes elétricos confirmam captura adequada
    • Cateter é retirado; alta hospitalar geralmente em 24h

    Para quem é indicado

    O Micra é uma excelente opção para pacientes com bradiarritmias que requerem estimulação ventricular, especialmente:

    • Idosos com fragilidade cutânea (cicatrização ruim)
    • Pacientes com história de infecção em marcapasso convencional
    • Pacientes com problemas de acesso venoso superior (trombose, anatomia desfavorável)
    • Pacientes com fibrilação atrial permanente em que apenas estimulação ventricular é necessária
    • Pacientes que valorizam a ausência de cicatriz visível e mobilidade total

    Limitações e cuidados

    O Micra atual estimula apenas o ventrículo direito. Para pacientes que necessitam de marcapasso de dupla câmara (estímulo coordenado do átrio e ventrículo) ou ressincronizador, ainda recomendamos modelos convencionais — embora versões leadless de dupla câmara já estejam em estudos clínicos avançados.

    A vida útil da bateria é de aproximadamente 10-12 anos. Quando esgota, uma nova cápsula pode ser implantada (a anterior pode permanecer encapsulada no miocárdio sem prejuízo).

    Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica.

    Compartilhar