Fibrilação atrial: o que todo paciente precisa saber
A arritmia mais comum do mundo é tratável, e o diagnóstico precoce previne complicações graves como o AVC.

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum em adultos. Estima-se que 1 em cada 4 pessoas terá FA ao longo da vida — e a prevalência cresce significativamente após os 65 anos.
O que acontece no coração?
Em condições normais, o estímulo elétrico do coração nasce no nó sinusal e se propaga de forma organizada. Na fibrilação atrial, múltiplos focos elétricos no átrio competem entre si, gerando uma atividade caótica. O resultado: batimentos irregulares, frequentemente rápidos, e perda da contração coordenada do átrio.
Sintomas — e quando são silenciosos
- Palpitações irregulares ou taquicardia
- Cansaço fora do habitual
- Falta de ar aos esforços
- Tontura ou pré-síncope
- Dor ou desconforto no peito
Importante: até 30% das fibrilações atriais são assintomáticas. Por isso, o exame clínico cuidadoso e o eletrocardiograma de rotina (especialmente após os 60 anos) são fundamentais.
Por que tratar é essencial
A fibrilação atrial multiplica em até cinco vezes o risco de AVC isquêmico. A perda de contração atrial cria um ambiente propício à formação de coágulos no apêndice atrial esquerdo, que podem migrar para o cérebro. Além disso, a FA prolongada pode levar à insuficiência cardíaca por taquicardiomiopatia.
Como é o tratamento moderno
A abordagem é individualizada e geralmente envolve três frentes:
1. Prevenção do AVC
Anticoagulantes orais diretos (DOACs) reduzem em 60-70% o risco de AVC. Em pacientes com contraindicação à anticoagulação, a oclusão do apêndice atrial esquerdo é uma alternativa segura.
2. Controle do ritmo ou da frequência
A escolha entre restaurar o ritmo sinusal (cardioversão, antiarrítmicos, ablação) ou apenas controlar a frequência cardíaca depende da idade, sintomas e duração da arritmia. Estudos recentes mostram que a estratégia de controle do ritmo precoce (especialmente por ablação) reduz mortalidade e hospitalização em pacientes selecionados.
3. Ablação por cateter
A ablação de FA é hoje uma terapia consagrada — e com a chegada da Pulsed Field Ablation (PFA), tornou-se ainda mais segura e rápida. Realizamos esse procedimento em centros de referência em Porto Alegre, com altas taxas de manutenção do ritmo sinusal.

