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    Arritmias15 de abril de 2026 6 min de leitura

    Fibrilação atrial: o que todo paciente precisa saber

    A arritmia mais comum do mundo é tratável, e o diagnóstico precoce previne complicações graves como o AVC.

    Dra. Karina de Andrade no Congresso Brasileiro de Arritmias

    A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum em adultos. Estima-se que 1 em cada 4 pessoas terá FA ao longo da vida — e a prevalência cresce significativamente após os 65 anos.

    O que acontece no coração?

    Em condições normais, o estímulo elétrico do coração nasce no nó sinusal e se propaga de forma organizada. Na fibrilação atrial, múltiplos focos elétricos no átrio competem entre si, gerando uma atividade caótica. O resultado: batimentos irregulares, frequentemente rápidos, e perda da contração coordenada do átrio.

    Sintomas — e quando são silenciosos

    • Palpitações irregulares ou taquicardia
    • Cansaço fora do habitual
    • Falta de ar aos esforços
    • Tontura ou pré-síncope
    • Dor ou desconforto no peito

    Importante: até 30% das fibrilações atriais são assintomáticas. Por isso, o exame clínico cuidadoso e o eletrocardiograma de rotina (especialmente após os 60 anos) são fundamentais.

    Por que tratar é essencial

    A fibrilação atrial multiplica em até cinco vezes o risco de AVC isquêmico. A perda de contração atrial cria um ambiente propício à formação de coágulos no apêndice atrial esquerdo, que podem migrar para o cérebro. Além disso, a FA prolongada pode levar à insuficiência cardíaca por taquicardiomiopatia.

    Como é o tratamento moderno

    A abordagem é individualizada e geralmente envolve três frentes:

    1. Prevenção do AVC

    Anticoagulantes orais diretos (DOACs) reduzem em 60-70% o risco de AVC. Em pacientes com contraindicação à anticoagulação, a oclusão do apêndice atrial esquerdo é uma alternativa segura.

    2. Controle do ritmo ou da frequência

    A escolha entre restaurar o ritmo sinusal (cardioversão, antiarrítmicos, ablação) ou apenas controlar a frequência cardíaca depende da idade, sintomas e duração da arritmia. Estudos recentes mostram que a estratégia de controle do ritmo precoce (especialmente por ablação) reduz mortalidade e hospitalização em pacientes selecionados.

    3. Ablação por cateter

    A ablação de FA é hoje uma terapia consagrada — e com a chegada da Pulsed Field Ablation (PFA), tornou-se ainda mais segura e rápida. Realizamos esse procedimento em centros de referência em Porto Alegre, com altas taxas de manutenção do ritmo sinusal.

    Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica.

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