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    Para o paciente18 de março de 2026 5 min de leitura

    Palpitações: quando se preocupar e o que observar

    Sentir o coração acelerar é comum, mas alguns padrões merecem investigação cardiológica. Saiba diferenciar o benigno do que precisa de avaliação.

    Dra. Karina de Andrade ao lado de imagem anatômica do coração

    Palpitação é o nome que damos à percepção do próprio batimento cardíaco. Pode aparecer como um soco no peito, um pulo, uma corrida acelerada ou um descompasso curto. A maior parte das palpitações é benigna — mas algumas pistas importantes ajudam a decidir se vale uma consulta com cardiologista.

    Por que sentimos o coração?

    Em situações como exercício, café, álcool, noites mal dormidas, ansiedade ou refeições pesadas, o coração responde de forma natural acelerando ou produzindo extrassístoles isoladas. Essas sensações tendem a ser breves, autolimitadas e relacionadas a um gatilho identificável.

    Outras vezes, porém, a palpitação é a manifestação de uma arritmia subjacente — taquicardia supraventricular, fibrilação atrial, taquicardia ventricular ou bloqueios. Diferenciar os dois grupos é o coração da consulta de eletrofisiologia.

    Sinais de alerta que merecem avaliação

    • Palpitação acompanhada de desmaio, quase desmaio ou tontura forte
    • Dor no peito, falta de ar intensa ou suor frio durante o episódio
    • Frequência cardíaca muito alta (acima de 150 bpm) sem motivo aparente
    • Episódios recorrentes que duram minutos a horas
    • História familiar de morte súbita, miocardiopatia ou arritmia hereditária
    • Palpitação que aparece durante o esforço físico, e não no repouso

    O que esperar da consulta

    A primeira ferramenta é uma anamnese detalhada: quando começou, como começa e termina, duração, gatilhos, sintomas associados, uso de medicamentos, café, suplementos e estimulantes. Em seguida, o eletrocardiograma de repouso fornece informações sobre o ritmo basal, intervalos e sinais sugestivos de arritmias hereditárias.

    Quando o ECG é normal mas a queixa persiste, partimos para monitorização: Holter de 24 ou 48 horas, monitor de eventos por semanas, ou — em casos selecionados — monitorização de longa duração. O objetivo é capturar o ritmo no momento exato do sintoma.

    Autocuidado enquanto investiga

    • Reduzir cafeína, energéticos e álcool por algumas semanas e observar
    • Priorizar sono regular — privação de sono é gatilho frequente
    • Anotar data, hora, duração e contexto de cada episódio
    • Hidratar-se bem, especialmente em dias quentes
    • Buscar pronto-atendimento se a palpitação vier acompanhada dos sinais de alerta

    Em consultório, atendo pacientes no Hospital São Lucas da PUCRS, no Hospital Mãe de Deus e no Cardio Prime. Quando uma arritmia é confirmada, a discussão sobre tratamento envolve desde mudanças de hábito até medicação e, em casos específicos, mapeamento eletroanatômico e ablação por cateter.

    Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica.

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